segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Desabafo


Após mais uma das minhas caminhadas no deserto por força dos meus encargos e responsabilidades de pendor académico, resolvi voltar às lides da blogosfera de que tanto gosto. Aproveito por isso para me queixar. Sim para me lamentar da técnica, da eficiência, da desumanização. É verdade, acreditem, neste texto assumo uma convergência com Arendt: a técnica não permite a actividade puramente humana. Não permite a reflexão, o diálogo, a criação, mas unicamente a atomização social e a sociedade de massa.

Na verdade, esta minha melancolia encerra lágrimas pelo Maquiavelismo, pelo exacerbado pragmatismo, pelo descrédito do idealismo e da vitória dos sentimentos sobre o balanço estatístico da humanidade que não os inclui. Esta minha tristeza encerra lágrimas pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento, pelas agências de rating, pelo congelamento dos salários da função pública ainda que existam gestores públicos pagos a peso de ouro, pelo diálogo político de fachada, pelo consumismo e pela indistinção entre domínio privado e domínio público. Esta minha infelicidade não esconde lágrimas pela humanidade.

Espero que compreendam esta dor de um inconformado e incurável sonhador que o PIB per capita ainda não enganou.

2 comentários:

Ana Paula Sena disse...

Eu compreendo perfeitamente :)

Pelo que aqui vi e li, este é um bom blogue, com excelentes textos.
Os meus parabéns!

Austeriana disse...

Aprendiz,
Ainda bem que voltaste! E como eu te compreendo!

Tecnocratas/técnica são uma espécie de bloco monolítico que nem sequer conseguem pôr-nos a falar sozinhos... Acorrentam-nos a rotinas.
Nos dias que correm, há várias lutas a manter e esta é uma delas!

Abraço.