quarta-feira, 7 de julho de 2010

O Rato que Ruge

Quando ingressei no curso de ciência política não tinha a noção do quão distantes estavam o campo das ideias e o mundo sensível, ou melhor dizendo, o que separava o ser do dever ser. No entanto, tenho colocado os pés na terra gradualmente e o meu ideal kantiano tem cedido um pouco perante a vontade de poder de Nietzsche. O realismo político que a minha juventude desdenha é o mesmo que vislumbro do outro lado da cortina do poder associada a negociatas no mínimo estranhas, a concursos públicos duvidosos e a uma incongruência de ideias que me fazem pensar se Pareto não estava correcto quando abordava os resíduos ou ideias instrumentais para a mobilização das massas na conquista do poder. Certo ou errado, ele teve a visão de águia que separou as águas: elite e massas.

3 comentários:

Austeriana disse...

Também vou ficando cada vez mais surpreendida e espantada com as negociatas veladas (outras, nem tanto) com que a vida me vai mostrando.
Prezando o sentido de justiça e o princípio da equidade, é com muita indignação que sou obrigada a conviver com estes jogos de compadrio. Mas, caramba! Ainda temos o direito à indignação, não é?

Abraço.

JPM disse...

Aprendiz,
Temo que não conseguirei te ajudar.
Em princípio (e por princípio) pouco há, em toda a teorização sobre a economia de um país, em que eu acredite, afora a lei da oferta e procura ao natural e não manipulada, como em geral ocorre.
No início dos anos 90, aqui no Brasil, dizia-se que o Governo precisava investir na criação de novos empregos, em saúde, em educação, em segurança, etc. e não tinha dinheiro e nem condições de tomá-lo emprestado, logo, deveria vender as empresas estatais.
Eu defendia a ideia de emissão de dinheiro para gerar produção, o que era de pronto rechaçado, pois, em geral, as pessoas acreditavam que emitir dinheiro gerava inflação (vivíamos épocas de altas taxas inflacionárias)... o que não deixa de ser verdade, quando não investido em produção.
Depois de todas as estatais lucrativas terem sido vendidas, com financiamento estatal do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, ninguém mais falou do assunto. Mas, o desemprego continuou e a educação, a saúde, a segurança, etc. tudo permaneceu como antes.
Agora, há poucos minutos, no noticiário de um canal de tevê, falando da economia brasileira, foi dito que ela está crescendo quase como na época do chamado milagre brasileiro dos anos 70. Aí perguntaram, de onde vem o dinheiro, se a economia mundial está em crise? E responderam, vem de nós consumidores.
Não sei se a informação é verdadeira ou se tem a ver com as eleições que se aproximam.
Contudo, a base de toda economia são as pessoas, seja como produtoras, seja como consumidoras. Logo, as teorias econômicas são perfeitamente dispensáveis para que se possa gerar produção, consumo, desenvolvimento, bem-estar e felicidade das pessoas.
O que a humanidade precisa, se desejar, de fato, terminar com a miséria, é parar com a exploração da população perpetrada por alguns poucos, dando a todos o sagrado direito à oportunidade de trabalho, o que trará produção e desenvolvimento, e reduzirá, sensivelmente, a criminalidade e a corrupção praticamente desaparecerá.
Quanto às questões que colocas, posso dizer-te que todos os planos impostos pelo FMI e Banco Mundial aqui no Brasil, num passado recente, apenas geraram desemprego e pobreza para a maioria da população e aumento da riqueza dos donos do Grande Poder Econômico - GPE.
No que concerne às divisas e dívidas, formam uma caixa preta, onde as dívidas da elite econômica são misturadas com as divisas do erário público, de onde sempre resulta saldo positivo para os donos do GPE.
Meu Caro, sugiro que observes, caso não faças, como as coisas funcionam na prática. Toma como exemplo aquilo que se dizia no início dos anos 90 aqui no Brasil e o total silêncio depois de tudo ter sido “vendido” e as coisas em nada terem melhorado.
Não deve ser diferente aí no teu País, embora, fisicamente, menor e com menos riquezas naturais que gerem cobiça, e com mercado consumidor, também, menor, o que não atrai tanto os especuladores.
Era o que eu poderia expressar sobre o teu comentário de dias atrás.
Saúde e felicidade.
JPMetz

TERESA SANTOS disse...

Elites? Ainda há elites? Onde estão, saber-me-ás dizer?!
Restam as massas, as eleitas: as que sofrem, pagam, vivem dificuldades inúmeras, que não vivem, vegetam.

Abraço.