segunda-feira, 23 de março de 2009

"A chapada da mão invísivel" e "PSD - Popularucho, Só e Direitista"




«Não tenho estado contra o investimento público, mas contra algum investimento público. Há investimento público de proximidade, que não tem componentes importadas, que não tem encargos para orçamentos futuros e que utiliza mão de obra nacional e que tem efeitos imediatos para o crescimento, com certeza que ninguém está contra ele.»

Manuela Ferreira Leite, líder do PSD



A Humanidade assiste a mais um crash provindo do american business way de Wall Street que tem devastado o mundo e, por conseguinte, a Europa, exceptuando casos como a Eslováquia e a Polónia. A sua origem, à semelhança de 1929 prende-se com o laissez-faire do Marquês de Argenson, desta feita revestido no neo-liberalismo de Milton Friedman, aplicado outrora pela dama de ferro e pelos Chicago boys, compañeros de Pinochet. Com efeito, George Bush foi apenas mais um utilitarista aplaudido pelos gestores e especuladores da Bolsa, que seguiu uma linha económica Lehmann Brothers mais individualista e quase nozickeana, que despreparou uma sociedade, contra a "Teoria da Justiça" de Rawls que agora é relembrado com o Yes, we can de Barack Obama, e oposta ao intervencionismo de Cambridge. Afinal o véu de ignorância deve ser respeitado e aplicado bem como o controlo da economia em sectores estratégicos.

O resultado de tal desregulação que permitiu aos Maddoff's arruinarem inúmeras famílias, permitem pelo menos agora uma nova discussão que nos permita alcançar patamares de entendimento globais que permitam colocar nomos na oikos. Deve ser discutida uma solução que permita não só a resolução da crise a curto como a longo prazo, uma resolução estrutural que permita às famílias defenderem-se do espirro americano, epicentro de todos os sismos capitalistas.

A grande mudança das estruturas ainda agora começou com reuniões do G-20 a aguçar o apetite, e com a proposta dos bancos a comprarem activos tóxicos por parte de Obama. Todavia são já notadas medidas conjunturais de combate à crise que espelham bem a tendência intervencionista e esquerdista de lidar com a ruína humana. Como exemplo temos as nacionalizações do sector bancário, a ajuda às empresas, e o reforço do Estado-Social. Parece que afinal o New Deal e o Keynesianismo não deveriam ter sido esquecidos como reprimenda de uma mãozinha invísivel marota, à moda de Adam Smith.

Em Portugal como em outros países, o panorama tem sido este, embora com propostas que divergem da Esquerda e da Direita do espectro político. Porém, sejam quais forem as opiniões, a Europa e o Uncle Sam, assim como os principais nomes da economia mundial alertam para o facto do perigo do proteccionismo que pode colocar em risco pequenas economias do ponto de vista mundial como a portuguesa.

O mercantilismo moderno, juntamente com o clima pesado da crise representam muitas vezes um perigo de nacionalismo primário.

Neste quadro que aqui foi desenhado, aparece a Dra. Manuela Ferreira Leite. A líder laranja, presente em Paris, num discurso a puxar para o populismo de exaltação patriótica dos emigrantes, profere aquilo que citei acima. O que representa um erro grosseiro não perdoável com a desculpa das más interpretações. Aliás, estas "pérolas" da antiga ministra das finanças não são raras infelizmente. Lembrarei que esta senhora é da opinião que o investimento público apenas emprega PALOP's, que necessitamos de uma ditadura temporária para colocar o país em ordem, que a comunicação social não deve escolher a emissão do seu noticiário - dêem-lhe o lápis azul por favor - e agora, para espanto dos mais desatentos, que o país só deve empregar mão nacional sem componentes importadas. Agora lembrem-se da situação vivida pelos portugueses em Inglaterra para avaliar estas declarações. Para piorar, o que seria de nós sem as contribuições dos imigrantes para a produtividade e contabilidade nacionais! É a campanha "Portugal para os portugueses"? É o "Orgulhosamente Sós"? Para primeira-ministra não sei, mas para líder do PNR, encontra-se muito bem lançada!

O Capitalismo é um paradigma quase que irrefutável, que venceu a guerra-fria do colectivismo - embora permaneçam alguns focos de guerrilha -, e que se apresenta como a melhor solução na distribuição dos recursos escassos. No entanto, este deve ser corrigido e direccionado para o bem-comum, deve complementar a necessidade do mercado externo das pequenas potências externas com a preocupação social. No fundo deve, num elogio aristotélico, ser moderado, para que impeça que um inimigo invísivel nos tenha na sua mão.



imagem: www.sergeicartoons.com







2 comentários:

Dalaiama disse...

Olá!
Eu vim cá logo desde que soube que este blog existia, uns dois posts atrás.
Ia comentar naquele post do Homo Homini Lupus (o homem é o lobo do homem) mas o meu computador às vezes fica doido. Não, não é vírus; simplesmente está a terminar a sua existência mecânica.

Gostei muito do que disseste, e do modo como o disseste, acerca da Ferreira Leite :)

Quanto ao capitalismo triunfante que apenas precisa de algumas regulações e de orientações mais sociais, não sei bem como me posiciono. Não tenho respostas para os desafios da Humanidade. Às vezes acho que sim, que tens razão, que é por aí. Outras vezes, penso que talvez seja normal neste momento histórico considerarmos que o capitalismo de facto triunfou. Mas dez ou vinte anos na história das sociedades humanas não é muito. Ocorre-me então que após a derrota da Comuna de Paris em 1871 também se instalou uma certa descrença nos valores de esquerda. Foi preciso esperar mais de quatro décadas para se tornar a acreditar ser possível uma sociedade comandar-se pelo socialismo (ainda que fossem assinaláveis os defeitos do sistema soviético).

Seja como for, acredito que um outro mundo é possível. E a pouco e pouco o ser humano aproxima-se desse ideal. Porque o capitalismo não pode prosseguir assim cruel.

Fica bem.

Austeriana disse...

De um modo geral, concordo com os argumentos apresentados no post. Contudo, não lhe parece que, quando as coisas não correm bem, os Estados Unidos têm sempre as costas largas? É que, de facto, houve, há e haverá governantes completamente lerdos nos EUA mas nos outros países também! E a cumplicidade dos "lambe-botas"? Não é tão (ou mais...)grave?