
No segredo da noite, confio meus segredos à melancolia. Ela para além de atenta e compreensiva, é boa ouvinte e não possui qualquer preconceito ou ideia pré-concebida. Ela possui uma voz que me entristece e me alegra, me acalma e desperta, numa conversa sem fim. Aliás, talvez procure a Verdade platónica ou a síntese hegeliana na minha dialéctica que espero sempre fechada, embora saiba a impossibilidade de tal acontecer. Afinal de contas, nunca chego a uma conclusão.
Conto-lhe tudo e procuro uma resposta dela. Digo-lhe que quanto mais conheço do mundo, mais o consolo da solidão procuro. Digo-lhe que vozes amigas tenho muitas, cuja força é grande, mas que não conseguem demover-me da minha crença de que sou um fraco sem coragem de dar o passo em frente, quando é necessário. Na verdade, pareço que assisto ao progresso e evolução de todos a uma velocidade estonteante, enquanto permaneço inerte, desculpando-me com o que não tem perdão. Não vale a pena culpar a sociedade e a sua infra-estrutura provocadora de uma super-estrutura viciosa, uniformizadora, suja, cruel e sem escrúpulos. Não vale a pena procurar resposta no humanismo real sartreano, culpando a coisificação de que sou alvo dos outros.
É melhor prosseguir a minha dialéctica com a melancolia agora, porque hoje mais tarde, falarei com Ele, que numa palavra me transforma fraquezas em forças. Contudo, não posso contar nada. É segredo.
Sem comentários:
Enviar um comentário